Gil Vicente subiu ao palco pelas mãos dos finalistas
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Há coisas que acontecem no nosso Colégio que não cabem bem na palavra "atividade". Porque são mais do que isso. São memórias que ficam na vida de cada aluno. E na passada sexta-feira, no Externato Paulo VI, aconteceu uma dessas coisas.
O auditório encheu-se para assistir ao Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, interpretado pelos alunos do 9.º ano. E antes mesmo de começar, já havia qualquer coisa no ar; uma espécie de expectativa irrequieta, como se todos soubessem que ali não se estava apenas para ver uma peça.
Depois, a obra entrou em palco pela voz dos alunos. E ficou.
O texto de Gil Vicente, com a sua ironia antiga e a sua lucidez sempre desconfortável, ganhou corpo em jovens que se apropriaram da linguagem sem a simplificar. O fidalgo, o juiz, o onzeneiro, o frade (figuras que julgávamos distantes), surgiram com uma estranha familiaridade. Como se mudassem apenas de roupa ao longo dos séculos.
Em vários momentos, o público riu. Noutros, ficou em silêncio. E há silêncios que valem mais do que qualquer aplauso.
Ao longo do espetáculo, tornou-se evidente que não estava ali só assistir a uma representação teatral, mas a ser testemunha de um processo mais vasto de construção. No contexto desta encenação e sob a encenação da professora de português, Flora Macedo, os alunos desenvolveram um conjunto alargado de competências, desde a expressão oral ao pensamento crítico, passando pela criatividade, trabalho em equipa e consciência cultural.
Mas talvez isso seja o que menos importa quando a memória se instala!
Para muitos destes finalistas, que cresceram no Externato Paulo VI desde os três anos, esta noite terá sido uma dessas marcas difíceis de explicar mais tarde. Uma espécie de ponto final que, afinal, não fecha nada.
No dia seguinte, houve outra sessão. Desta vez com um público diferente: a comunidade sénior das freguesias de São Victor e São Lázaro, numa iniciativa integrada no projeto social das turmas do 9.º ano.
E ali, o teatro fez outra coisa. Fez encontro.
No fim, fica sempre isto... uma escola não é apenas um lugar onde se aprende. É também um lugar onde se vive coisas que, mais tarde, esquecidos os pormenores, continuam a encher o nosso coração, mesmo não sabendo bem contar porquê.
E talvez nem seja preciso!
Convidamo-lo agora a recordar alguns dos momentos mais marcantes através da nossa galeria de fotografias.

























































































































































































































































































































































































































































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