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Fio dos Afetos... quando cada criança encontra o seu lugar no grupo

há 9 horas
3 min de leitura

Nas Salas Girafas A e B, um simples fio tornou-se ponto de encontro entre crianças, afetos e relações.


A ciência diz-nos que, aos 5 anos, aprender a estar com os outros é também uma parte importante do desenvolvimento. Reconhecer o outro, comunicar, cooperar, esperar, partilhar, criar vínculos e perceber que cada pessoa tem um lugar são competências que se constroem nas relações e nas experiências do dia a dia.


Foi a partir desta ideia que as educadoras Xana e Andreia propuseram às crianças das Salas Girafas A e B a atividade “Fio dos Afetos”, realizada em trabalho colaborativo entre as duas turmas.



UM FIO QUE APROXIMA


A atividade começou com um novelo entregue a uma das crianças. Essa criança escolheu um amigo a quem passar o fio e explicou ao grupo porque tinha feito aquela escolha. Depois, o fio foi passando de criança em criança, criando, pouco a pouco, uma grande rede.


No final, as crianças puderam olhar para aquilo que tinham construído juntas: uma rede de fios que representava também as relações que se foram criando entre elas.


A simplicidade do material contrasta com aquilo que a experiência permite trabalhar. Ao aproximar crianças de diferentes turmas, a atividade cria oportunidades para conhecer novos colegas, estabelecer relações e reconhecer-se como parte de um grupo maior.


Para as crianças que chegaram recentemente ao Externato, este tipo de experiência assume ainda um significado especial. A integração acontece através da participação, da brincadeira e da relação com os outros, ajudando a construir, de forma natural, o sentimento de pertença.


APRENDER A VIVER COM O OUTRO


Na educação de infância, o desenvolvimento social e emocional não acontece separado das restantes aprendizagens. Acontece nas situações concretas do dia a dia, sobretudo quando as crianças têm oportunidade de interagir, colaborar e resolver pequenas situações em conjunto.

Aos 5 anos, uma atividade como esta permite experimentar pequenas coisas que são, afinal, grandes aprendizagens: observar o outro, fazer uma escolha, explicar o que se sente, escutar, esperar e perceber que a nossa participação tem impacto no grupo.


Esta importância das relações é também destacada pelo National Scientific Council on the Developing Child, da Universidade de Harvard, que, no seu trabalho Young Children Develop in an Environment of Relationships, sublinha o papel das experiências relacionais no desenvolvimento das competências sociais e emocionais das crianças.


Na mesma linha, a National Association for the Education of Young Children (NAEYC) defende que a educação de infância deve proporcionar às crianças oportunidades para brincar, comunicar e colaborar com os seus pares, reconhecendo estas experiências como parte do próprio processo de desenvolvimento e aprendizagem.


É isso que acontece quando uma criança escolhe um amigo, explica a sua escolha e passa o fio. Não está apenas a participar numa dinâmica. Está a experimentar uma forma de estar com os outros.



DO “EU” AO “NÓS”


O “Fio dos Afetos” permite tornar visível que, nesta idade, a aprendizagem ainda está muito ligada à experiência. Cada Criança percebe, à sua maneira, que faz parte do grupo e que aquilo que faz ajuda ajuda a construir o que é de todos e que sente feliz assim.


É também por isso que as experiências de cooperação têm lugar na nossa prática pedagógica. Não se trata apenas de fazer uma atividade em conjunto, mas de criar contextos em que cada criança possa experimentar o valor da relação, da entreajuda e da participação.

No final, ficam os fios entrelaçados. Mas fica, sobretudo, aquilo que não se vê: novas relações, maior proximidade entre as crianças e a descoberta de que há sempre espaço para mais um no nosso grupo.

Referências:

  1. National Association for the Education of Young Children (NAEYC). Developmentally Appropriate Practice: Creating a Caring, Equitable Community of Learners. A NAEYC destaca a importância das relações positivas entre crianças e das oportunidades de brincar, colaborar e realizar projetos em conjunto para o desenvolvimento e a aprendizagem.

  2. National Scientific Council on the Developing Child. (2004). Young Children Develop in an Environment of Relationships. Working Paper No. 1. Center on the Developing Child, Harvard University. O documento aborda a importância das relações no desenvolvimento infantil e na construção das bases para a aprendizagem e as competências sociais.

 


 
 
 

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