Quando a família participa, a criança descobre mais do mundo

Na educação de infância, aprender começa muitas vezes com uma pergunta feita pelas educadoras de infância; o que estará dentro deste saco? Porque cheira assim? Como é possível prender a noite numa lata? E será que conseguimos reconhecer uma fruta sem a ver?
Estas perguntas, tão próprias da infância, são também pontos de partida para a construção do conhecimento. Quando explora, observa e experimenta, a criança mobiliza os sentidos, o pensamento, a linguagem e a imaginação. Relaciona aquilo que já conhece com o que acaba de descobrir e constrói, progressivamente, a sua compreensão do mundo.
Foi neste contexto que, na semana passada, as salas das Joaninhas A e B, das Abelhinhas B e das Girafas A, no Externato Paulo VI, receberam pais e mães que dinamizaram atividades relacionadas com os temas trabalhados em sala. A exploração dos cinco sentidos, a leitura de uma história e a descoberta de diferentes alimentos proporcionaram novas experiências em que as crianças aprendem, com a participação das famílias e o acompanhamento das educadoras.
Esta forma de compreender a aprendizagem está em sintonia com o Projeto Educativo Institucional da ESSEd Internacional: colocar a criança no centro da ação educativa, reconhecendo-a como pessoa única, com os seus interesses, ritmos e possibilidades de desenvolvimento.
DESCOBRIR ATRAVÉS DOS SENTIDOS

Nas salas das Joaninhas A e B, a exploração dos cinco sentidos ganhou novas possibilidades com a participação de Sara Varanda, mãe do Álvaro, e Sónia Pires, mãe da Benedita.
Na sala das Joaninhas B, lupas, um monóculo, caixas de sons e frascos com diferentes cheiros convidaram as crianças a observar, escutar e identificar estímulos. A associação de imagens aos materiais e a descoberta de objetos escondidos num saco estimularam a curiosidade e a capacidade de reconhecer características através do tato.

Nas Joaninhas A, a exploração de diferentes materiais e a prova de alimentos permitiram descobrir sensações e comparar características. Um grande urso de peluche acrescentou à experiência o contacto tátil e a alegria de uma visita inesperada.
Estas propostas dão expressão a princípios fundamentais da educação pré-escolar, pois permitem aprender através da experiência, formular hipóteses e encontrar respostas pela exploração. Quando uma criança compara texturas, identifica um som ou procura palavras para descrever uma sensação, desenvolve a capacidade de observar, relacionar e comunicar.
UMA HISTÓRIA QUE GANHA FORMA

Na sala das Abelhinhas B, Marinha Silva, mãe da Inês partilhou a história O Coelho, o Escuro e a Lata de Bolachas, de Nicola O’Byrne.
O coelho da história não quer ir dormir e decide prender a escuridão numa lata de bolachas, procurando evitar a chegada da noite. Mas acaba por descobrir que a escuridão também tem o seu lugar na natureza e na vida dos animais.
Depois da leitura, cada criança decorou a sua própria caixa, recriando a lata onde o coelho procurava aprisionar a noite. A história prolongou-se, assim, através da expressão plástica, dando a cada criança a oportunidade de criar a sua própria versão de um elemento da narrativa.
Ouvir histórias, acompanhar imagens e recriar aquilo que se escutou são experiências que favorecem o desenvolvimento da linguagem, da imaginação e da expressão plástica. As narrativas podem ainda abrir espaço para conversar sobre emoções e receios, permitindo às crianças explorar diferentes situações através das personagens.
RECONHECER OS ALIMENTOS DE OUTRA FORMA

Na sala das Girafas A, Rui Bragança, pai do José, dinamizou uma prova sensorial de alimentos. De olhos vendados, as crianças procuraram identificar maçã, cenoura e melão, recorrendo às características que conseguiam reconhecer.
O cheiro, o sabor e a textura tornaram-se pistas para descobrir cada alimento. A experiência convidou as crianças a comparar sensações, formular hipóteses e explicar as suas descobertas, mobilizando conhecimentos anteriores e ampliando o vocabulário.
A atividade proporcionou também uma oportunidade para explorar a diversidade dos alimentos através da experiência direta, respeitando as preferências e as necessidades individuais de cada criança.
UMA COMUNIDADE QUE CRESCE COM A CRIANÇA
Estas quatro experiências tiveram características distintas, mas partilharam uma dimensão essencial: a participação das famílias na vida do Externato. Cada mãe e cada pai trouxe uma proposta que alargou as oportunidades de descoberta e aproximou os contextos familiar e educativo.
Quando articulada com os projetos de sala e acompanhada pelas educadoras, esta participação enriquece o trabalho pedagógico. As famílias contribuem com experiências e conhecimentos próprios; as educadoras asseguram a intencionalidade educativa; e as crianças encontram novas oportunidades para explorar, questionar e aprender.
É esta visão que o Projeto Educativo Institucional (PEI) procura concretizar: uma educação integral, centrada na criança e construída através das experiências, das relações e da corresponsabilidade da comunidade educativa.
Colocar a criança no centro da ação educativa é reconhecer a sua singularidade, respeitar os seus ritmos e criar oportunidades para que desenvolva todo o seu potencial. É uma tarefa que se constrói no quotidiano, através de experiências pensadas com intencionalidade pedagógica, relações de proximidade e atenção a cada criança.
Quando a família e o colégio partilham esta responsabilidade, a educação torna-se uma construção conjunta, orientada para o desenvolvimento integral da criança.



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